A cirurgia de obesidade chamada comumente de cirurgia bariátrica impõe ao paciente uma série de modificações tais como: alimentares, psicológicas, comportamentais e de estilo de vida. E isso acontece tanto no período pré como pós cirúrgico. Dessa maneira passar por um psicólogo no pré operatório se faz tão importante quanto passar pelas demais especialidades, pois cada uma delas é parte fundamental de uma avaliação e preparo corretos e com a abrangência que o tratamento exige.
O psicólogo no momento pré cirúrgico realiza uma avaliação criteriosa necessária à liberação cirúrgica e prepara o paciente e sua família para a cirurgia e para sua vida futura após a realização da mesma. E para que serve essa avaliação psicológica? Essa avaliação tem como objetivo principal identificar e tratar alterações psicológicas e ou aspectos emocionais que possam prejudicar o sucesso do tratamento. Também ajuda o paciente a compreender melhor como é e será seu comportamento em relação à sua alimentação bem como a influência que seu estilo de vida terá sobre sua saúde tanto física como emocional.
Durante as consultas para além das orientações e informações sobre o processo cirúrgico bariátrico como por exemplo técnica cirúrgica, riscos e complicações, benefícios aguardados, mudanças promovidas, consequências físicas, emocionais e sociais, também se trabalha com o paciente formas saudáveis para se lidar com a obesidade e as questões emocionais que envolvem as mudanças de hábitos importantes e fundamentais nesse processo.
Dessa maneira o preparo psicológico serve para facilitar a participação ativa e adesão ao tratamento pré e pós operatório, colabora para a promoção de expectativas realistas e reflexões sobre as transformações que ocorrerão após a cirurgia tanto a curto como médio e longo prazo.
E como fica a família nesse processo? Essa possui um papel de grande importância durante todo o tratamento. Portanto, é recomendável que os familiares mais próximos e que mais irão influenciar o processo de tratamento do paciente sejam comunicados para que esses também dentro do possível recebam orientações psicológicas, em um tipo de assistência em que a estrutura e o funcionamento familiar, o apoio prestado pela família, a satisfação do paciente com esse apoio e as expectativas da família possam ser avaliadas e trabalhadas pelo psicólogo, já que familiares tanto podem sabotar a cirurgia como também serem fundamentais no auxílio ao paciente e à equipe multidisciplinar que acompanha o mesmo.
Também é possível a participação do psicólogo no momento da cirurgia durante a hospitalização, pois nesse período trans operatório pode ajudar a minimizar a angústia e a ansiedade do paciente e familiares, colaborando para uma melhor expressão dos sentimentos, auxiliando na compreensão da situação vivenciada, ajudando a promover um clima de maior confiança entre o paciente e a equipe médica, ajudando numa melhor verbalização das fantasias que podem acontecer pelo processo cirúrgico.
Algumas complicações psicológicas são mais frequêntes após a cirurgia. Logo nos primeiros 15 dias a ansiedade é passível de acontecer pois o emagrecimento desejado ainda não aconteceu. Nesse período ocorre uma privação alimentar principalmente de açúcares que tem papel fisiológico importante em relação ao humor e também há uma certa limitação física. Nos 15 dias que se seguem continua a privação da mastigação, que exerce importante função na descarga da agressividade já que morder é uma descarga motora necessária para os seres providos de dentição. De forma particular a cada indivíduo, poderá haver algum comportamento mais explosivo ou de humor irritativo ou até mesmo um certo isolamento social. São situações normais de acontecer, porém, se esse quadro persistir por mais tempo é importante uma melhor avaliação e tratamento.
Após a cirurgia o acompanhamento psicológico é também parte da assistência multidisciplinar que seguirá com o paciente, fundamental para a promoção de saúde mental e a prevenção de agravos. A atuação do psicólogo irá contribuir para uma melhor adaptação do paciente e de sua família ao seu novo estilo de vida e às mudanças em sua rotina alimentar, à sua nova forma corporal, à sua vida social, na lida com suas demandas relacionadas ao emagrecimento, sua autoestima, sua autoimagem e na facilitação para o desenvolvimento de estratégias para lidar com a ansiedade e o estresse relacionados ou não com o processo cirúrgico.
É importante saber que obesidade não é um problema psicólogico e sim uma doença que vem acompanhada por uma série de complicações em relação à saúde geral do indivíduo. É muito comum que esse apresente quadros de alteração de pressão arterial, dores cervicais, quadros de ansiedade, agitação psicológica e até sintomas depressivos. Assim sendo, uma compreensão de como esses estados de humor afetarão o serão afetados pela doença obesidade é alvo importante de um acompanhamento psicológico.
Fonte: Sociedade Brasileira de Cirurgias Bariátricas e Metabólicas - SBCBM
Psicologia Clínica
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