quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Novo Ano e suas misteriosas inquietações


Tão inevitáveis como as festas de fim de ano, algumas reflexões começam a fazer volume em nossos mais íntimos pensamentos. As conquistas conseguidas, as sentidas perdas; algumas implacáveis, mas outras tantas que poderiam ter tido outra sorte. 

Exatamente neste caldeirão de emoções, misturam-se, às nossas virtudes vividas e nossas escolhas bem resolvidas, os nossos inquietantes sentimentos de dúvidas, e os questionamentos e incertezas, que vagueiam em nossas mentes à procura de soluções, de um caminho a seguir.


E nesses momentos de angústias e vazio existencial, costumamos ficar à deriva, na esperança de que com alguma sorte, esbarremos em algum porto seguro, que venha acolher nosso sofrimento e trazer ânimo e esperança por dias melhores e mais leves de se viver.

Infelizmente, o que poderíamos considerar como sorte, não passa de contingência casual, algo imprevisto e que por tal condição, não podemos permitir que nossas ações fiquem apenas ao sabor das eventualidades.
 

Neste mar revolto, aprisionado num caldeirão de sentimentos, costuma ser importante o auxilio de um orientador, um especialista em trazer luminosidade onde há obscuridade, possibilitando ao navegante, descobrir os melhores caminhos a seguir, as escolhas mais seguras a partir de suas novas descobertas e do melhor conhecimento de si e do horizonte a seguir. Navegar pelo curso da vida, traz constantes novos desafios, é característica natural da nossa existência, entretanto, a cada nova conquista, este curso a seguir, pode se dar em águas mais equilibradas e tranquilas.
 
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segunda-feira, 2 de julho de 2018

Cirurgia de Obesidade e Psicologia


A obesidade tem sido motivo de preocupação em nossa sociedade atual e não somente por questões estéticas. A busca por uma vida mais saudável também leva as pessoas a buscarem conquistar uma melhor condição de saúde.

E são inúmeras, as situações que fazem com que um indivíduo não consiga obter um controle de seu peso. Atualmente, um dos recursos procurados mais frequentes é a cirurgia de obesidade, chamada cirurgia bariátrica. Quando um paciente procura um especialista, cirurgião bariátrico, e nesse processo lhe é indicado a cirurgia para redução de peso, ele é orientado a passar por algumas especialidades clínicas  com a necessidade de se submeter à análise  de cada um desses profissionais indicados e realizar baterias de exames para que seu processo cirúrgico possa seguir adiante.

Geralmente uma dúvida frequente, se dá em relação à necessidade da participação do profissional de psicologia. A importância se dá pela necessidade de um preparo emocional desse paciente, como também sua liberação para o processo cirúrgico no período pré-operatório, assim como seu acompanhamento nas etapas que seguirão.

Aqui algumas das perguntas mais frequentes:

Por que preciso passar por um psicólogo antes da cirurgia de obesidade?
A cirurgia exige do paciente modificações alimentares, psicológicas, comportamentais e de estilo de vida tanto nos momentos pré quanto pós cirúrgicos. Passar pelo psicólogo no pré-operatório é tão importante quanto passar por outras especialidades, pois cada uma delas é parte imprescindível da avaliação e preparo global exigidos pelo tratamento.

Qual o papel da psicologia no pré-operatório?
Uma avaliação e preparo do paciente e sua família para a cirurgia e para a vida depois da cirugia.

Para que serve a avaliação psicológica?
O objetivo principal da avaliação psicológica é identificar e tratar alterações psicológicas e ou aspectos emocionais que possam prejudicar o sucesso do tratamento, bem como ajudar o paciente a compreender a sua forma de se alimentar no presente e ao longo dos anos além da influência do seu estilo de vida sobre sua saúde.

Como ocorre o preparo psicológico para a cirurgia?
Nas consultas, além das orientações e informações sobre a cirurgia bariátrica (técnica cirúrgica, riscos e complicações, benefícios esperados, mudanças provocadas, consequências físicas, emocionais e sociais); são trabalhadas com o paciente, formas mais saudáveis para lidar com a obesidade e também com as questões emocionais envolvidas no processo de mudanças de hábitos.

Para que serve o preparo psicológico para a cirurgia?
Para facilitar a participação ativa e adesão ao tratamento (pré e pós-operatório), promover expectativas realistas e reflexões sobre as transformações que ocorrerão após a cirurgia bariátrica a curto, médio e longo prazo.

Preciso comunicar a minha família sobre a cirurgia?
A família possui um papel muito importante durante todo o tratamento. Assim recomenda-se a comunicação aos familiares que mais influenciam no processo do paciente para que os mesmos possam receber atendimento psicológico também. Na assistência psicológica oferecida a pacientes e familiares, o psicólogo avalia e trabalha: a estrutura e o funcionamento da família, o apoio prestado pelos familiares, a satisfação do paciente com esse apoio, as informações e expectativas dos familiares. Pontos privilegiados, pois os familiares tanto podem sabotar a cirurgia como oferecer importante auxílio ao paciente e à equipe de saúde.

É possível atendimento psicológico no momento da cirurgia e durante a hospitalização?
Sim. A atuação do psicólogo durante o trans-operatório objetiva minimizar a angústia e ansiedade do paciente e seus familiares favorecendo a expressão dos sentimentos, auxiliando na compreensão da situação vivenciada, proporcionando um clima de confiança entre o paciente e equipe de saúde, facilitando a verbalização das fantasias advindas do processo cirúrgico.

Quais as complicações psicológicas mais frequentes depois da cirurgia? 
Nos primeiros 15 dias a ansiedade é pertinente, dado ao fato de que o emagrecimento almejado ainda não ocorreu, ocorre a privação alimentar principalmente de açucares que têm papel fisiológico importante sobre o humor, e há certa limitação física. Nos próximos 15 dias, permanece a privação da mastigação, que têm importante função na descarga da agressividade (morder, cravar os dentes é uma descarga motora importante para seres providos de dentes). Dependendo de cada um, pode haver comportamento explosivo e humor irritativo ou até mesmo certo isolamento social. Se o quadro persistir, há necessidade de tratamento.

Preciso fazer acompanhamento psicológico após a cirurgia?
O acompanhamento psicológico no pós operatório é também parte da assistência multidisciplinar, fundamental para a promoção de saúde mental e prevenção de agravos. Assim as intervenções do psicólogo contribuem para a adaptação do paciente e sua família no novo estilo de vida e às mudanças no padrão alimentar, na forma corporal, na vida social, no manejo de demandas relacionadas ao emagrecimento, como autoestima, autoimagem, assertividade; e na promoção do desenvolvimento de estratégias para lidar com problemas como ansiedade e estresse relacionadas ou não ao tratamento cirúrgico. Ao longo do acompanhamento, paciente e profissional podem ainda identificar a necessidade de outros cuidados em saúde mental como tratamento psicológico ou psiquiátrico.

A obesidade é um problema psicológico?
Não. A obesidade é uma doença que vem acompanhada de uma série de complicações da saúde global do indivíduo e de outras doenças. É comum que o indivíduo apresente pressão arterial alta, dores cervicais, bem como ansiedade, agitação psicológica e até sintomas depressivos. A compreensão de como os estados de humor afetam ou são afetados pela doença obesidade é algo importante e alvo do acompanhamento psicológico.

Fonte:
Sociedade Brasileira de Cirurgias Bariátricas e Metabólicas

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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Avaliação psicológica, acompanhamento bariátrico e psicoterapia


Ainda hoje, muitos pacientes candidatos à cirurgia bariátrica e metabólica se perguntam sobre a necessidade da avaliação psicológica pré-operatória. Isso acontece, entre outras razões, porque é muito difundida a ideia de que quem procura um psicólogo está passando por algum sofrimento grande.

Vamos esclarecer: a avaliação psicológica pré-operatória consiste em um processo psicodiagnóstico que visa assegurar que o paciente, naquele momento, encontra-se em bom estado de saúde mental, favorecendo sua participação ativa no período pós-operatório e que seja capaz de seguir as orientações da sua equipe.

Nesse momento, também é feito um preparo psicoeducativo, cujo objetivo é que o paciente obtenha o máximo de conhecimento a respeito das orientações que deverão ser seguidas após a cirurgia e otimizar os resultados por toda a vida.

O acompanhamento psicológico bariátrico consiste em encontros mensais para tratar de assuntos relativos à evolução do paciente, solucionar possíveis dúvidas e rever as orientações para as próximas etapas bariátricas.

Já a psicoterapia exige encontros mais frequentes, geralmente semanais, e pode ser indicada pelo profissional de saúde ou partir do desejo do próprio paciente para se aprofundar e tratar de suas questões psicológicas, não necessariamente relacionadas à cirurgia bariátrica.

Todas essas formas de tratamento psicológico são válidas e importantes para que o paciente evolua da melhor forma. Sabemos que os pacientes que obtiveram informações detalhadas e corretas durante o preparo para a cirurgia evoluem melhor no pós-operatório imediato porque estão mais preparados para passar pelas etapas da restrição alimentar.

Fonte:
Portal Saúde Metabólica

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quinta-feira, 23 de novembro de 2017

A Obesidade e Dopamina







Estudos sugerem que pessoas com obesidade apresentam receptores de dopamina reduzidos no organismo.

O polimorfismo vem sendo associado com alterações no número de receptores dopaminérgicos. Isso mostra que indivíduos que apresentam este alelo A1 possuem menores concentrações de receptores de dopamina, e esse quadro tem sido associado com o aumento de fatores de risco para o desencadeamento de certos vícios como alcoolismo, tabagismo, dependência de opioides e cocaína. 

Fato preocupante é que este mesmo alelo (A1) está presente em altas concentrações em pessoas obesas.

Isso nos leva a um achado interessante de que o obeso come em demasia, dentre outras coisas, por possuir um mecanismo de recompensa deficitário (resistência à dopamina ou falta de sensibilidade dos receptores de dopaminérgicos).

Dessa forma, o comportamento de um indivíduo obeso frente à comida apresenta traços semelhantes ao de um drogadicto. No entanto, apesar de existir forte correlação entre a reduzida concentração de receptores de dopamina e a obesidade, a sua baixa concentração não resulta, por si só, em aumento do IMC. O alelo A1 não é o responsável pela obesidade, mas predispõe a um traço de personalidade que dificilmente responde às tentativas de redução do peso.

Pessoas que apresentam esses traços de personalidade são menos motivadas a trabalhar para obter grandes recompensas e perdem a motivação rapidamente quando não veem os resultados imediatos esperados.

Os exercícios físicos vêm se mostrando como um dos principais aliados para a regulação dos receptores dopaminérgicos e o aumento da sensibilidade à dopamina em pessoas com sobrepeso e obesidade. E o melhor de tudo, sem os indesejáveis efeitos colaterais que muitas drogas trazem.

É importante salientar que a prática precisa ser regular e de preferência com variação de estímulos (aeróbios e resistidos) na maioria dos dias da semana.

Metas pequenas, realistas e de curto prazo devem ser estabelecidas para motivar a adesão e o engajamento na fase inicial. Nada de querer implementar regimes altamente restritivos e horas na academia para objetivar a perda de 10kg em 1 mês.

Entender este mecanismo é essencial para o sucesso no tratamento.

Fonte:
Saúde Metabólica

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quinta-feira, 26 de outubro de 2017

A Revolução da Nutrição na Saúde Mental


Em um artigo publicado na revista Lancet Psychiatry, os acadêmicos da Sociedade Internacional para Pesquisa em Psiquiatria Nutricional descrevem o estado atual do modelo de saúde mental como sendo focado essencialmente na Psicofarmacologia.

Segundo o artigo, esse modelo obteve somente modestos benefícios na melhora das condições globais de saúde mental. Essa publicação tem um papel importante, pois é assinada conjuntamente por dezenas de pesquisadores do mundo todo, que se uniram na defesa de um novo paradigma na Psiquiatria. Os autores apontam que crescem a cada dia as evidências de que a nutrição é um fator crucial, tão importante para a Psiquiatria como é para a cardiologia ou endocrinologia.

Segundo esse consórcio internacional de pesquisadores, as abordagens farmacológicas têm conquistado uma redução apenas moderada na escalada mundial de problemas mentais. No entanto, estimativas apontam que a expansão de doenças relacionadas aos transtornos mentais continuará a crescer nas próximas décadas, em especial às desordens relacionadas a quadros de depressão e ansiedade, que são altamente incapacitantes. Entre outras causas, podemos listar uma rápida urbanização, que levou a uma transição para estilos de vida diferentes dos tradicionais. O meio urbano leva à piora nos padrões de dieta, de atividade física e altera dramaticamente o tecido das estruturas sociais, fatores que têm sido associados à depressão e outros problemas mentais.

Por outro lado, as evidências que sustentam o papel da nutrição na saúde mental cada vez se acumulam mais. No mundo atual, as populações, tanto em países desenvolvidos como nos emergentes, consomem preferencialmente comida processada, que é rica em poluentes e pobre em nutrientes. Estamos em uma situação singular na história, onde a maior parte da humanidade está, ao mesmo tempo, superalimentada, mas desnutrida. Mesmo nos países ricos, muitos indivíduos têm consumo cada vez mais elevado de calorias, mas sem atingir os níveis recomendados de ingestão de nutrientes essenciais para o cérebro, como vitaminas do complexo B, zinco e magnésio. Vivemos em uma era de epidemia de doenças mentais e físicas, em grande parte agravadas pelo sedentarismo, uso de álcool e drogas, consumo de cigarros e dieta pobre em nutrientes. O custo estimado pela Organização Mundial da Saúde, relacionado às doenças físicas e mentais, é de 47 trilhões de dólares até o ano 2020, caso ações efetivas e substanciais não sejam feitas.

Uma dieta tradicional consistindo em alta ingestão de vegetais, frutas, frutos do mar, grãos integrais, nozes e legumes, evitando comida processada, aumenta a probabilidade de prover os nutrientes que permitem resiliência contra a psicopatologia.

Com base nesse cenário, os acadêmicos da Sociedade Internacional para Pesquisa em Psiquiatria Nutricional propõem uma mudança de paradigma na Psiquiatria, com forte impacto na Psicologia, consolidando uma nova estrutura de conceitos que considera os fatores nutricionais como fundamentais. Afinal, o cérebro trabalha em uma taxa metabólica muito alta, e usa uma porção substancial da energia total e da ingestão de nutrientes. Na estrutura e na função, o cérebro depende de aminoácidos, gorduras, vitaminas e minerais, tanto na comunicação intracelular como intercelular.

Os hábitos alimentares modulam o funcionamento do sistema imune, que é moderador para o risco de ocorrência de depressão. Os hábitos alimentares afetam a plasticidade neural e mecanismos de reparo ao longo do desenvolvimento humano. Novos estudos epidemiológicos demonstraram associações robustas entre nutrição saudável e baixa prevalência, bem como risco reduzido, de depressão e suicídio. Nutrição materna e no início da vida emerge como determinante de saúde mental futura em crianças.

Por outro lado, deficiências de macronutrientes, durante períodos cruciais do desenvolvimento, têm sido implicadas na patogênese de psicoses e transtornos depressivos. O estudo europeu de grande porte denominado PREDIMED indicou aleatoriamente sujeitos para diferentes tipos de dieta, e aqueles que receberam a dieta do Mediterrâneo tiveram forte proteção para depressão. Outro ensaio clínico mostrou que o aconselhamento nutricional foi tão efetivo como a Psicoterapia na prevenção de depressão em pessoas da terceira idade.

Essas evidências trazem implicações importantes, pois a nutrição não pode ser ignorada e negligenciada por um profissional de saúde mental. Mesmo um psicólogo clínico, que não atua em intervenções diretas no plano farmacológico ou psicobiológico, tem um papel importante na psicoeducação dos seus pacientes, trabalhando durante a Psicoterapia na reestruturação de crenças sobre hábitos alimentares, atuando em equipes multiprofissionais com médicos nutrólogos, psiquiatras ou nutricionistas, e mesmo recomendando busca de informações e de acompanhamento profissional.

A Psicoterapia é muitas vezes a impulsionadora de mudanças importantes nos hábitos negativos e no estímulo aos positivos, como sono, exercício e, por que não, nutrição. A formação do médico e do psicólogo deve incluir treinamento que foque no papel da nutrição na função cerebral e na saúde mental. E esses profissionais devem exercer pressão na esfera governamental para desenvolvimento de políticas públicas que promovam melhoria de hábitos alimentares e estilo de vida mais saudável.


Fonte:
Saúde Metabólica
Revista Psique - Número 112 - Editora Escala


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