Recentemente uma comoção nacional
aconteceu por conta do falecimento precoce de uma importante figura de nossa
cultura. Uma pessoa que viveu intensamente seus desejos em sua curta passagem, não
deixando de realizar o que teve vontade de fazer, com coragem, enfrentando preconceitos
e todas as dificuldades que lhe foram apresentadas. Muito próximo outra comoção, dessa vez internacional, pela passagem de um ícone da cultura rock mundial. Esse também viveu a vida no seu máximo, inclusive com excessos que de alguma forma abreviaram sua passagem ou ao menos influenciaram de alguma maneira.
Em momentos assim nos deparamos com a finitude, que não é uma opção e sim a única certeza que temos quanto a nossa existência. Sabemos que um dia acontecerá, mas não sabemos com absoluta certeza quando acontecerá.
Dessa forma, ao pensarmos sobre a vida nos vem o desejo de vivê-la aproveitando ao máximo o que nos é oferecido. Em seu livro “The Top Five Regrets Of The Dying” (Top Dos Cinco Arrependimentos Daqueles Que Estão Para Morrer), Bronnie Ware, que por anos trabalhou como enfermeira de cuidados paliativos, cuidando de pacientes terminais, observou que esses ganharam uma clareza de pensamento no fim de suas vidas, e quando questionados sobre desejos e arrependimentos, alguns temas comuns repetidamente se apresentaram.
A cultura popular nos ensina que devemos aprender com o erro alheio e assim evitarmos passar por situações conhecidamente passíveis de serem evitadas. E se tal aprendizado trouxer conforto emocional, tanto melhor.
Aproveitando as observações da citada obra, podemos refletir sobre a lista dos cinco arrependimentos mais freqüentes:
Coragem De Viver: “Gostaria de ter tido a coragem de viver a vida que eu quisesse, e não a vida que os outros esperavam que eu vivesse”. O arrependimento mais comum observado. Quando a pessoa percebe que sua vida está quase no fim e olha para trás, fica fácil perceber quantos sonhos não foram realizados. Em sua grande maioria as pessoas não realizam nem metade dos seus sonhos dos seus desejos e percebem que morrerão sabendo que isso aconteceu por causa das escolhas que tomaram ou não tomaram. A saúde física e mental oferece uma liberdade que nem sempre se consegue perceber, até que não mais a tem.
Excesso No Trabalho: “Eu gostaria de não ter trabalhado tanto”. A escritora relata que ouviu isso de todo paciente masculino com quem trabalhou. Que estes sentiam falta de ter vivido mais a juventude dos filhos, a companhia de suas parceiras e relatavam o arrependimento de ter passado tanto tempo de sua vida no ambiente de trabalho. As mulheres também contaram desse arrependimento, mas, como a maioria era de uma geração mais antiga, muitas não tiveram uma carreira. Atualmente as mulheres tem optado pelas conquistas de carreira e formação educacional avançada, uma demanda justa e há muito esperada e desejada, deixando para mais no limite da idade a gestação ou constituírem família. Em parte vivem o oposto do primeiro arrependimento acima citado aos buscarem concretizar sonhos e desejos. Isso é positivo, porém, apesar de algum arrependimento estar distante das estatísticas, pode acontecer num futuro.
Expressar Sentimentos: “Eu queria ter tido a coragem de expressar meus sentimentos”. Grande parte das pessoas suprimem seus sentimentos para ficar em paz com os outros. O resultado, acomodam-se em uma existência medíocre e nunca se tornaram quem realmente eram capazes de ser. Grande parte, acabam por desenvolver doenças relacionadas à amargura e ao ressentimento carregados consigo.
Vivenciar As Amizades: “Eu gostaria de ter ficado em contato com meus amigos”. Frequentemente, as pessoas não percebem as vantagens de ter velhos amigos até chegarem em seus últimos momentos de vida, e aí já não ser mais possível se reaproximar de tais pessoas. Muitos ficam tão envolvidos em sua própria vida que deixam amizades se perderem ao longo dos anos. Muitos arrependimentos profundos sobre não ter dedicado tempo e esforço às amizades costuma ser sentido. A companhia, o carinho oferecido pelos amigos seja num momento difícil, de fragilidade de saúde física, emocional, ou quando a vida esta chegando ao fim trás muito conforto.
Se Permitir Ser Feliz: “Eu gostaria de ter me permitido ser mais feliz”. Um arrependimento surpreendentemente comum. Grande parte das pessoas, só percebem no fim da vida que a felicidade é uma escolha. Ficamos presos a antigos hábitos e padrões. O chamado ‘conforto’ com as coisas que são familiares. O medo da mudança nos faz fingir para os outros e para nós mesmos que estamos contentes quando, na verdade, ansiamos por rir com leveza e aproveitar até mesmo as coisas bobas que acontecem em nossa vida. Normalmente não precisamos de muito para sermos felizes.
Conhecer melhor como somos, ajuda a despertar em nós a importância de vivenciar nossos sonhos e desejos. Sermos resilientes, conhecermos nossa essência, nos aceitar como somos, ouvir nossa natureza, respeitarmos cada etapa de vida, nos leva a gostarmos de nós mesmos e assim, termos melhores condições de gostarmos mais e melhor dos outros. A cultura na qual estamos inseridos influencia e faz a diferença nesse processo, facilitando, dificultando e até impedindo desenvolvimentos os mais diversos.
Ser livre para viver os sonhos e os desejos tem seus riscos e exige responsabilidade. Porém, é uma estrada bonita e gostosa de se percorrer.
Psicologia Clínica
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Cruzeiro











Adorei o conteúdo… nos traz momento de reflexão tão necessário no momento atual…
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