domingo, 29 de março de 2020

É possível manter um isolamento social saudável?


Agora em 2020 atravessamos um momento de séria crise na saúde pública mundial promovida pela disseminação de um vírus letal para grande parte da população, principalmente pessoas acima dos 60 anos de idade e com comorbidades associadas. 

Entretanto, esse vírus não infecta apenas indivíduos a partir dessa faixa etária. Dados alarmantes informam que pessoas mais novas também adoecem e muitas chegarão a óbito pela contaminação e pelos problemas ao sistema respiratório que este vírus promove. Já há relato oficial da morte de uma jovem na faixa dos 16 anos, o que não livra pessoa alguma do risco de contaminação.


Em 1918, também houve em todo o mundo uma situação tal como a que vivenciamos pelo Convid-19. A gripe espanhola, também conhecida como gripe de 1918, foi uma pandemia do vírus influenza excepcionalmente mortal. Essa gripe infectou cerca de 500 milhões de pessoas, um quarto da população mundial na época, num período de janeiro de 1918 a dezembro de 1920. 
   

É estimado um número de mortos entre 17 a 50 milhões de pessoas, com a possibilidade de se ter chegado à casa dos 100 milhões de pessoas em todo o mundo, tornando essa gripe como uma das mais mortais da história da humanidade. Historicamente a gripe espanhola foi a primeira de duas pandemias causadas pelo influenzavirus H1N1, sendo que a segunda ocorreu em 2009. Infelizmente para minha família meu pai perdeu sua mãe aos 7 anos de idade vitima dessa gripe e por toda a vida ouvi relatos familiares de como foi um período de grande comoção em nosso país e no mundo.


E cá estamos novamente às voltas com uma nova pandemia. Agora por um vírus igualmente mortal, uma variação do coronavírus. É inegável o avanço da medicina e da farmacologia nesses 100 anos que nos separam dessas duas terríveis pandemias.


Há 100 anos vivíamos um tempo com menos rapidez de disseminação pois não era tão ágil e fácil o transporte de pessoas entre as cidades, os países e os continentes. Também não se tinha uma rede de troca de informações e orientações como temos hoje via internet, tv e demais veículos de informação.


Segundo estudos, a maior parte dos surtos de gripe leva a óbito de forma desproporcional os mais jovens e os mais velhos, apresentando uma taxa de sobrevivência mais alta a indivíduos entre esses dois grupos. Entretanto, a pandemia de gripe espanhola resultou numa taxa de mortalidade bem acima do que se esperava para os adultos jovens. Foram apresentadas através de análises algumas explicações a respeito dessa alta perda de vidas e algumas dessas justificativas apontavam que o vírus foi mortal por desencadear uma reação destruidora do sistema imunológico dos adultos jovens. Mas também análises mais modernas apresentaram como justificativas, que a infecção viral é mais agressiva em cenários de desnutrição, falta de higiene e hospitais superlotados, que  acabam por não suportar a carga da demanda, entrando em colapso e assim não dando conta de  tratar todos os que necessitam de ajuda médica.


Naquela época houve em meio ao caos estabelecido, a orientação de se fazer o isolamento social das pessoas, já que um indivíduo infectado quando espirra ou tosse, mais de meio milhão de partículas virais são espalhadas para quem esta próximo. Esse isolamento demonstrou dar bons resultados na diminuição da curva de velocidade de contaminação. E é exatamente o que hoje a Organização Mundial da Saúde, OMS, juntamente com cientistas, profissionais da área de saúde, infectologistas e governos tem orientado às pessoas de todo o planeta a seguirem esse isolamento, pois é de fundamental importância para se conter a velocidade de transmissão e com isso se controlar a pandemia.


Entretanto, observamos  que uma mudança radical na rotina das pessoas pode trazer muitos problemas emocionais e psicológicos. Muitas famílias estão em isolamento com seus membros todos juntos mas inúmeras outras pessoas estão solitárias em suas casas. Seja como for, para ambos os casos, uma inquietação é natural para todo e qualquer indivíduo saudável. Assim, esse isolamento tão necessário pode trazer consequências tais como: falta de sono com dificuldade para dormir, tristeza, ansiedade, desorientação mental, irritabilidade, perda de memória, falta de concentração e até depressão.

É aí que entra a preocupação de todos nós psicólogos e profissionais da área para um cuidado com a estrutura mental de todos. Manter atividades é importante para o ser humano, e nesse momento de isolamento devemos procurar ter uma rotina saudável dentro das limitações impostas pelo confinamento.

Algumas dicas importantes devem ser observadas. Tente estabelecer uma estrutura diária tal como era antes desse isolamento. Procure manter um horário para dormir e acordar como se você estivesse vivendo num momento comum de sua vida, com seus compromissos tradicionais de estudo e trabalho.


Ao acordar mantenha sua higiene padrão tanto física como mental escovando os dentes, tomando banho, fazendo a barba, se maquiando, penteando os cabelos e trocando de roupas diariamente, evitando passar o dia de pijamas ou com roupas sujas. Isso irá manter sua autoestima elevada evitando ansiedade e depressão. 


Mantenha as refeições diárias dentro do possível nos mesmos horários. Tome seu café da manhã para quem tem esse hábito, faça seu almoço, lanche da tarde e jantar tal como anteriormente você fazia. Manter essa rotina irá diminuir a ansiedade e lhe impedir de passar o dia todo ingerindo alimentos.
 

Tente se situar no tempo e no espaço para que esse isolamento não exerça uma desorientação temporal que irá provocar uma provável alteração psíquica. É muito comum em cenários assim o indivíduo perder a noção de qual dia da semana e mês ele se encontra, de qual é a hora do dia, etc. Tente se situar no espaço temporal indo para janela e olhe para a rua, para as casas ao redor, para o movimento das pessoas em suas casas. Muitos indivíduos tem interagido pelas janelas, se comunicando de uma forma que havíamos esquecido há tempos. Se for possível caso a residência tenha algum tipo de área ou sacada, procure tomar um pouco de sol e ar fresco. Deixe o sol banhar o rosto de olhos fechados, pois essa energia é revigorante.
 
 
Procure estabelecer metas como por exemplo finalizar a leitura de um livro ou arrumar um armário que há tempos está alí esperando por isso. Ouça músicas que lhe tragam boas sensações ou que tenham letras e conteúdo positivos. Cante, dance de frente para o espelho ou com os demais, jogue jogos com os que estão passando esse confinamento com você ou on line caso esteja sozinho e assista filmes ou séries preferencialmente alegres e positivas. Não negligencie se informar mas não passe o dia todo preso a informativos sobre o que acontece, pois isso pode causar uma sobrecarga de informações preocupantes que são geradoras de stress, pânico e depressão. Procure criar climas mais lúdicos e leves que só irão contribuir para um bom equilíbrio em sua estrutura mental.


Fique alerta caso observe em você ou em alguém próximo se sintomas como tristeza, ansiedade e angústia permanecem sem alguma melhora. Caso isso seja percebido não deixe de procurar alguma ajuda profissional. Psicólogos, psicanalistas e demais profissionais da área podem lhe prestar atendimento por vídeo conferência seja por Skype ou WhatsApp. Além disso existem outros serviços de apoio solidário via telefone. O importante é não ficar sem algum apoio psicológico.


Saiba que esse período difícil teve um início e terá um fim. Cabe a todos nós colaborarmos mantendo a higiene das mãos, a etiqueta da tosse e do espirro e permanecendo firmes seguindo as orientações corretas de isolamento social, pois assim mais rapidamente venceremos essa pandemia.
 
 
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quinta-feira, 5 de março de 2020

Porque passar por um psicólogo antes da cirurgia de obesidade

A cirurgia de obesidade chamada comumente de cirurgia bariátrica impõe ao paciente uma série de modificações tais como: alimentares, psicológicas, comportamentais e de estilo de vida. E isso acontece tanto no período pré como pós cirúrgico. Dessa maneira passar por um psicólogo no pré operatório se faz tão importante quanto passar pelas demais especialidades, pois cada uma delas é parte fundamental de uma avaliação e preparo corretos e com a abrangência que o tratamento exige.

O psicólogo no momento pré cirúrgico realiza uma avaliação criteriosa necessária à liberação cirúrgica e prepara o paciente e sua família para a cirurgia e para sua vida futura após a realização da mesma. E para que serve essa avaliação psicológica? Essa avaliação tem como objetivo principal identificar e tratar alterações psicológicas e ou aspectos emocionais que possam prejudicar o sucesso do tratamento. Também ajuda o paciente a compreender melhor como é e será seu comportamento em relação à sua alimentação bem como a influência que seu estilo de vida terá sobre sua saúde tanto física como emocional.

Durante as consultas para além das orientações e informações sobre o processo cirúrgico bariátrico como por exemplo técnica cirúrgica, riscos e complicações, benefícios aguardados, mudanças promovidas, consequências físicas, emocionais e sociais, também se trabalha com o paciente formas saudáveis para se lidar com a obesidade e as questões emocionais que envolvem as mudanças de hábitos importantes e fundamentais nesse processo.

Dessa maneira o preparo psicológico serve para facilitar a participação ativa e adesão ao tratamento pré e pós operatório, colabora para a promoção de expectativas realistas e reflexões sobre as transformações que ocorrerão após a cirurgia tanto a curto como médio e longo prazo. 

E como fica a família nesse processo? Essa possui um papel de grande importância durante todo o tratamento. Portanto, é recomendável que os familiares mais próximos e que mais irão influenciar o processo de tratamento do paciente sejam comunicados para que esses também dentro do possível recebam orientações psicológicas, em um tipo de assistência em que a estrutura e o funcionamento familiar, o apoio prestado pela família, a satisfação do paciente com esse apoio e as expectativas da família possam ser avaliadas e trabalhadas pelo psicólogo, já que familiares tanto podem sabotar a cirurgia como também serem fundamentais no auxílio ao paciente e à equipe multidisciplinar que acompanha o mesmo.

Também é possível a participação do psicólogo no momento da cirurgia durante a hospitalização, pois nesse período trans operatório pode ajudar a minimizar a angústia e a ansiedade do paciente e familiares, colaborando para uma melhor expressão dos sentimentos, auxiliando na compreensão da situação vivenciada, ajudando a promover um clima de maior confiança entre o paciente e a equipe médica, ajudando numa melhor verbalização das fantasias que podem acontecer pelo processo cirúrgico.

Algumas complicações psicológicas são mais frequêntes após a cirurgia. Logo nos primeiros 15 dias a ansiedade é passível de acontecer pois o emagrecimento desejado ainda não aconteceu. Nesse período ocorre uma privação alimentar principalmente de açúcares que tem papel fisiológico importante em relação ao humor e também há uma certa limitação física. Nos 15 dias que se seguem continua a privação da mastigação, que exerce importante função na descarga da agressividade já que morder é uma descarga motora necessária para os seres providos de dentição. De forma particular a cada indivíduo, poderá haver algum comportamento mais explosivo ou de humor irritativo ou até mesmo um certo isolamento social. São situações normais de acontecer, porém, se esse quadro persistir por mais tempo é importante uma melhor avaliação e tratamento.
Após a cirurgia o acompanhamento psicológico é também parte da assistência multidisciplinar que seguirá com o paciente, fundamental para a promoção de saúde mental e a prevenção de agravos. A atuação do psicólogo irá contribuir para uma melhor adaptação do paciente e de sua família ao seu novo estilo de vida e às mudanças em sua rotina alimentar, à sua nova forma corporal, à sua vida social, na lida com suas demandas relacionadas ao emagrecimento, sua autoestima, sua autoimagem e na facilitação para o desenvolvimento de estratégias para lidar com a ansiedade e o estresse relacionados ou não com o processo cirúrgico.

É importante saber que obesidade não é um problema psicólogico e sim uma doença que vem acompanhada por uma série de complicações em relação à saúde geral do indivíduo. É muito comum que esse apresente quadros de alteração de pressão arterial, dores cervicais, quadros de ansiedade, agitação psicológica e até sintomas depressivos. Assim sendo, uma compreensão de como esses estados de humor afetarão o serão afetados pela doença obesidade é alvo importante de um acompanhamento psicológico.

Fonte: Sociedade Brasileira de Cirurgias Bariátricas e Metabólicas - SBCBM

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segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Mau humor contagia?

Quando atravessamos períodos prolongados em que repentinas alterações climáticas acontecem durante o dia, com variações entre frio e calor, associadas à baixa umidade, é comum e inevitável que uma onda de resfriados atinja grande número de pessoas, principalmente quando dividimos espaços fechados com quem se encontra nesse estado de compartilhamento de germes. Um simples espirro já nos ameaça a saúde.
 
Da mesma forma que podemos nos contagiar com alguma manifestação gripal quando entramos em contato com alguém resfriado, atualmente, e não somente em nosso país, um fenômeno se destaca. O das manifestações de contagio de estados de humor, em muito motivado por um período de grande polarização política, que traz consigo reações coléricas, enfurecidas e geralmente gratuitas. Quando observamos alguém colérico, enfurecido, muitas vezes não nos damos conta de que esse estado de humor pode igualmente contagiar o ambiente e quem nele se encontra. Tem se tornado comum, não nos preocuparmos com esse possível contagio emocional e muito menos em como podemos proteger nosso emocional dessas influencias. Estudos recentes, indicam que o humor, especialmente o mau humor de quem está próximo, costuma ser contraído tal como um resfriado.

Esse contágio emocional acontece quando o sentimento de uma pessoa se transfere para uma outra em distintas etapas. Num primeiro estágio, um mimetismo não consciente costuma discretamente levar os indivíduos a copiarem sinais não verbais um do outro, como expressões faciais, posturas e movimentos corporais. Dessa maneira, só de se ver a cara sisuda de alguém pode levar esse observador a franzir sua testa e iniciar sua contaminação emocional. Passa-se então, à experimentação da fase de reação ao estímulo, pois, ao franzir a testa surge a possibilidade de se experimentar a tristeza.

Já num estágio final do contágio emocional, pode ocorrer uma sincronia de emoções e comportamentos ligada ao compartilhamento de experiências ruins. Isso não significa dizer que esse mimetismo seja algo de todo ruim, pois também existe a possibilidade de se lidar com alguém cujo bom estado emocional acabe por influenciar positivamente os demais que ali convivem, melhorando muito a empatia mútua.

Apesar do mimetismo ocorrer de forma inconsciente, em algumas situações podemos observar com certa facilidade o fenômeno. Um bom exemplo se dá quando vemos alguém próximo a nós bocejar. Costuma ser inevitável também bocejarmos. Alguns estudos indicam que, o mimetismo não consciente costuma ocorrer em maior frequência com indivíduos mais empáticos. Porém, não significa dizer que seja uma regra absoluta.

Interessante saber que a natureza contagiosa das emoções, pode ser ampliada em situações onde os indivíduos estão em contato constante uns com os outros. Em uma pesquisa realizada nas universidades americanas do Texas e da Califórnia, um número pouco superior a 150 casais, foram observados por um período de três anos com o objetivo de saber como o estresse de um dos cônjuges poderia influenciar o outro. Os dados levantados indicaram que, uma menor satisfação conjugal ocorria quando um dos parceiros se encontrava mau humorado ou estressado, pois o mau humor de um inevitavelmente contagiava o outro. Dessa forma, um casal mau humorado não reunia condições de convivência  saudável. 

Destacou-se com preocupação, nessa pesquisa, um agravamento dos desarranjos emocionais quando observadas praticas de conflitos negativos, tais como críticas e rejeições mútuas. Estudos dessa natureza, contribuem para uma melhor compreensão de nossas relações pessoais, familiares e de trabalho e nos oferece a possibilidade de conquistarmos uma melhor qualidade de vida a partir da conscientização dessas informações.

Conseguir identificar situações, lugares e até pessoas com as quais não temos empatia, contribui para uma minimização de conflitos. Não é sempre que temos a possibilidade de  escolher onde vamos estar ou com quem temos de lidar. Porém, quanto mais nos conhecemos e descobrimos nossos limites, melhor será nossa percepção do mundo, nossa capacidade de identificar hostilidades, filtrar comportamentos e de forma respeitosa mantermos uma relação saudável com os demais em nosso cotidiano.
 
Fonte:
Scientifc American Mind
 
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sexta-feira, 19 de julho de 2019

Como entender o Transtorno Afetivo Bipolar


Vivemos um período de muitos conflitos e angústias, motivadas principalmente pelos resultados da crise econômica, social e política que faz parte de nosso cotidiano. Em momentos assim, uma mudança de comportamento emocional pode ser notado. Entretanto, é importante saber diferenciar uma situação apenas momentânea causada por algum fator determinante, mas dentro de um equilíbrio e um quadro de Transtorno Afetivo Bipolar.

Quando algum familiar ou ente querido apresenta esse tipo de transtorno de humor, você também pode se sentir desamparado, oprimido, confuso e sem esperanças. Também é comum o sentimento de mágoa, irritação, frustração, culpa, vergonha, solidão, tristeza, cansaço e até de medo. Todos são sentimentos normais.

Considerado mais comum do que imaginado, de acordo com dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), cerca de 60 milhões de pessoas no planeta sofrem do Transtorno Afetivo Bipolar. Muito provavelmente, você leitor deve conhecer alguém que sofra desse transtorno, por isso é bastante saudável saber como lidar com esses indivíduos.


Mas realmente o que seria o Transtorno Afetivo Bipolar? Em primeiro lugar, é fundamental compreender que esse transtorno é uma doença, e não uma demonstração de fraqueza pessoal apresentada em determinadas situações. Se trata de um distúrbio mental que consiste numa alternância entre episódios depressivos e de euforia e isso pode influenciar as relações pessoais e os relacionamentos desses indivíduos. Caracteriza-se pela oscilação do ânimo do indivíduo de um extremo a outro, de forma desproporcional às reações normais aos fatos da vida, sem que tenha motivos reais aparentes e fora de controle. É importante saber que nem você, nem esse indivíduo tem culpa dessa condição.

Saber lidar com os altos e baixos desse transtorno, costuma ser difícil e leva familiares, amigos e companheiros enfrentarem as consequências dessa alternância de comportamento. Você não pode curá-lo, porém, pode lhe oferecer apoio, compreensão e esperança. Para tanto, é importante salientar que, cada indivíduo manifesta o transtorno de humor de forma diferente e saber como apoiar esses indivíduos que sofrem do Transtorno Afetivo Bipolar pode lhes trazer uma melhor qualidade de vida.


Se informar a respeito desse tipo de transtorno, conhecer os sintomas e as formas de tratamento poderá ajudar a convivência com esses indivíduos e a controlar o transtorno. É difícil para essas pessoas portadoras do transtorno controlar seu humor, portanto, aprender a aceitar os limites desses é algo fundamental. Devemos evitar comentários do tipo: "pense de forma positiva", "isso é coisa da sua imaginação", "pare de agir como um louco", "todos nós temos momentos como esse", "eu não posso fazer nada sobre sua situação", etc. Isso de forma alguma irá ajudar esses indivíduos e só irá contribuir para acentuar seu quadro. Em contra partida, ajuda bastante comentários do tipo: "você não está sozinho nessa, conte comigo, conte conosco", "você é importante para mim, sua vida é importante para mim", "diga-me o que posso fazer agora para lhe ajudar", "nós vamos passar por isso juntos", etc.

O estresse piora em muito o Transtorno Bipolar. Dessa maneira, é importante tentar reduzir o estresse desses indivíduos oferecendo ajuda, ou se voluntariando para assumir algumas de suas responsabilidades. Manter uma rotina familiar também costuma ser de grande valia. Manter uma comunicação honesta é fundamental e contribui para uma boa convivência com quem sofre desse transtorno. Mesmo que em algumas situações você não concorde com o que essa pessoa diz, procurar se esforçar para ouvi-lo, perguntar como ela esta se sentindo, compartilhar suas preocupações se faz importante.


Quanto um indivíduo se encontra em um episódio bipolar, é muito comum que seja muito crítico ou até mesmo cruel. É importante tentar não se ofender facilmente, pois temos de lembrar que são sintomas do transtorno e não que esse indivíduo esteja sendo egoísta ou manifestando algum tipo de comportamento maldoso. É importante estar atento a comportamentos destrutivos e em momentos de equilíbrio, combinar estratégias de ação para momentos de crise, tais como: ter informação a respeito dos contatos dos profissionais e de hospitais que acompanham o portador do transtorno, informação sobre familiares e amigos de confiança que, em uma crise podem ajudar. Quais os sinais mais prováveis de que um episódio maníaco ou depressivo se aproxima, tais como palavras ou comportamentos, e o que é possível fazer nesses momentos.

O tratamento para o Transtorno Afetivo Bipolar varia conforma a gravidade, geralmente feito com medicamentos e terapia. Não há cura para esse transtorno, porém, é muito importante mantê-lo sob controle, pois essa alternância de comportamento pode gerar complicações mais sérias chegando até a tentativas de suicídio. Mas um tratamento bem conduzido funciona muito bem, e a maioria dos portadores desse transtorno pode voltar a levar uma vida produtiva e estável. É saudável a esses indivíduos, estarem cientes de que eles podem contar com o seu apoio.

Além de saber como lidar com esses indivíduos, também é importante a preocupação com nossa própria saúde mental. Não devemos negligenciar nossas necessidades emocionais. Ao cuidarmos de nossa condição física e emocional, além de uma melhor qualidade de vida , temos como oferecer melhores condições para lidar e ajudar pessoas que em nossas relações familiares, de amizade ou conjugais, sofrem de algum transtorno emocional.


Fonte: 
World Health Organization
ABRATA - Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos
Help Guide
DBSA - Depression And Bipolar Support Alliance
Bipolar UK


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segunda-feira, 10 de junho de 2019

Quando a tristeza se esconde atrás de um sorriso


Considerada pela Organização Mundial da Saúde, a depressão é encarada como "o mal do século".
Caracterizada pela perda ou diminuição pelo interesse e prazer pela vida, por angústia e prostração, o tratamento da depressão é um grande desafio para profissionais da saúde, saúde mental e pacientes.

Muitas vezes, você encontra um amigo ou conhecido que não acha-se em seu melhor momento, lhe pergunta como está e ele lhe responde que "bem", esboçando um sorriso. Você tem o conhecimento de que essa pessoa se encontra mal, que tem problemas e que preocupações fazem parte de sua realidade e de seus pensamentos. Você sabe que esse sorriso é fingido, porém, é aceito e você muda de assunto.

Essa situação infelizmente é bastante comum, principalmente nesse momento político, econômico e social que atravessamos. Na verdade, todos nós tentamos, em algum momento da vida, esconder a tristeza, o estresse e as preocupações que estão por trás de um sorriso dissimulado. Entretanto, quando nos escondemos por trás de máscaras de tranquilidade e alegria, inviabilizamos a ajuda que podemos receber e isso facilita a nos afundarmos ainda mais no abatimento da depressão.


Costumamos acreditar que a pessoa deprimida não consegue levar uma vida aparentemente normal, que fica apenas fechada em seu quarto, não consegue trabalhar, que sensível chora com facilidade e caminha cabisbaixa, com aparente tristeza. No entanto, essa imagem é um clichê, pois cada pessoa é única e lida com sua depressão de forma diferente dos demais indivíduos. Estatisticamente, cerca de 71% das pessoas que sofrem de depressão tentam esconder seu estado emocional.

Muitos, apesar de deprimidos, conseguem ser funcionais e até mesmo animados em suas vidas diárias. São indivíduos que carregam consigo sua dor e não a exteriorizam. Essa dor vai lhes consumindo lentamente, até o momento em que sucumbem e desmoronam, porque não conseguem mais suportar o peso da máscara que carregam por meses e até anos.


Na psicologia, existe o que chamamos de "depressão sorridente". São pessoas que apresentam uma aparência de normalidade e de felicidade, pois vivem dentro de si os sintomas da depressão, não os expressam, e se esforçam por esconder sua depressão. Dessa maneira, as demais pessoas podem acreditar que elas tenham uma vida tranquila, perfeita.

As causas para que muitas pessoas deprimidas escondam sua dor são diversas. Em geral, o sorriso é equivalente a um mecanismo de defesa, uma máscara que serve para dissimular um estado emocional. A pessoa tem vergonha de seu problema. Não se pode esquecer que a maioria dos problemas mentais ainda se encontra encoberta por estigmas sociais, e isso faz com que as pessoas não queiram que outros saibam que elas estão deprimidas. A depressão em particular, por muitos é erroneamente considerada como falta de força de vontade, e dessa maneira, é muito compreensível que se você tiver esse preconceito, tenderá esconder sua depressão, considerando-a como uma "fraqueza".

Em muitos casos, a pessoa não quer reconhecer sua condição e esconde-se atrás de uma aparente normalidade, talvez acreditando e esperando que a depressão desapareça por conta própria, como num movimento mágico. Nesses casos, o que ocorre é uma negação e o sorriso é um mecanismo de autoafirmação, através do qual, ela tenta dizer a si mesma que a coisa não é assim tão difícil, e que na realidade ela se sente bem.


Existem pessoas por não querer preocupar os demais, tendem a se manter introspectivas, são introvertidas por natureza, e não querem transferir para pessoas próximas suas dificuldades. Dessa forma, fingem estar bem para não se tornarem um incômodo para os outros. Se preocupam muito com sua imagem e acreditam que são valorizadas e estimadas apenas pela imagem que transmitem. Por isso tentam fingir que tudo esta bem, escondem a depressão e o seu verdadeiro "eu", e acabam se tornando personagens de uma encenação cotidiana, sofrida, como se estivessem em uma peça teatral.


E quem geralmente seria mais propenso a sofrer da chamada "depressão sorridente"? Pessoas introvertidas, que tendem a não revelar seus problemas ou que têm dificuldade de falar sobre suas emoções. Pessoas perfeccionistas, que exigem muito de si e que acreditam piamente que não podem falhar de forma alguma em nenhuma área da vida. Também se enquadram pessoas hiper-responsáveis, que acreditam carregar o mundo sobre seus ombros e pensam que, se entrarem em situação de crise, uma catástrofe de proporção grandiosa ocorrerá.

Uma pessoa deprimida que opta por sorrir sofre, porém tenta viver como se não sofresse. Entretanto, emoções e sentimentos nunca devem ser negligenciados e escondidos, porque isso não os fará desaparecerem. Dessa forma, aquela pessoa que talvez finge escapar da depressão, na verdade esta alimentando-a. A longo prazo, essa atitude cobrará seu alto preço. Muitos casos de tentativas de suicídios que pegam amigos e familiares dessas pessoas completamente desprevenidos, são exemplos desse preço cobrado.

Em contrapartida, a pessoa que tenta esconder a depressão geralmente se encarrega de preencher totalmente sua agenda de tal maneira, que acaba levando um ritmo de vida irrequieto e com grande desgaste. Essa necessidade exagerada cotidiana acaba levando a um declínio emocional, porque não é possível fingir todos os dias e nem com todas as pessoas. Mais cedo ou mais tarde, a irritabilidade, o cansaço, a tristeza e a angústia encontram uma brecha para se manifestar.

A questão é que, exatamente nesse momento, a pessoa se vê cara a cara com sua realidade e sente que está em apuros e sem ninguém que possa ajudá-la. Essa é uma motivação que pode levar essa pessoa a pensar em suicídio. 


A Michigan State University conduziu um estudo que analisou o impacto de um sorriso falso em nosso humor. Os psicólogos seguiram um grupo de motoristas por duas semanas e descobriram que, quanto mais sorrisos fingiam, pior ficava o seu humor ao retornarem para casa, em um estado de ânimo marcado por irritabilidade e tristeza.

Desse modo, é importante estar informado de que as emoções negativas não desaparecem por si mesmas. Elas devem ser enfrentadas. Esconder ou evitar o problema não fará com que ele seja corrigido. Além do mais, é necessário saber que a depressão, não é somente resolvida em um consultório de psicologia. Desempenham também uma importante contribuição, amigos e família, desde que assumam uma atitude compreensiva e apoiem quem se encontra em um quadro depressivo.

No entanto, se você conhece alguém que esteja tentando esconder uma depressão por trás de um sorriso, não deixe de falar com essa pessoa. Não a pressione para relatar sua situação, pois dessa forma ela irá se fechar ainda mais. Ao contrário, mostre sua vulnerabilidade e conte seus problemas. Dessa maneira, você poderá se conectar emocionalmente a ela e será mais fácil que ela lhe conte suas próprias dificuldades, ao se identificar com os seus problemas.



Fonte: 
Rincón de la psicología 
Scott, B. A. & Barnes, C. M. (2011) A Multilevel Field Investigation of Emotional Labor
Affect, Work Withdrawal, and Gender. Academy of Management Journal, 54(1): 116-136

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