A busca da perfeição física é uma constante na vida das mulheres de todas as raças e culturas. A ambição por um corpo belo e atraente, de se ter uma pele saudável e um rosto bonito é alvo de mil estratégias adotadas em todas as épocas, fazendo da mulher um objeto condicionado à perfeitção, buscando sempre, dentro dos padrões vigentes, parecer bela, desejada, invejada.
Nesta luta entre a mulher e seu próprio corpo, o subjetivo, o elemento tão importante, às vezes se torna sufocado pela avalanche de influências culturais que através da propaganda, principalmente, escravizam a mulher fazendo dela um objeto já quase sem alma. E parece impossível conciliar as coisas. As mulheres que se dedicam a ideais mais nobres costumam se ver à margem da vaidade, muitas das vezes desleixando sua aparência ou pouco valorizando o que o físico pode representar como visualmente interessante num contexto social. Já em extremos, a grande maioria das mulheres, levadas por um conceito de beleza e de perfeição física um tanto utópico, e tão frequentemente mutável, geralmente se desliga de toda e qualquer atividade ou aspiração superior, vivendo às voltas com massagistas, cabeleireiros, modistas, esteticistas, cirurgiões plásticos, conforme dita a moda do momento.
Saltos altos, saltos baixos, vestidos longos ou curtos, cabelos naturais ou tintos, roupas sexys ou ingênuas e tantas outras oscilações, balançam a estrutura psicológica daquelas, que afoitas e entregues aos caprichos da moda, sufocam sua personalidade para chamar a atenção seja em alguma coluna social ou em nosso mundo contemporâneo, em postagens nas redes sociais, se reprimem em seu eu, deixando o mundo mandar em si, em seu jeito, em sua aparência.
Comum também é observar mulheres que apesar de inúmeros recursos não conseguem atingir aquele modelo ideal de revista, criada pelos "entendidos" de moda, se frustrando, retraindo, enclausurando-se num cem mil problemas, a tudo odiando, se isolando do mundo, sentindo-se inferiorizadas na sua condição de mulher, comprometendo até a estabilidade de suas relações.
Se pudéssemos falar sobre o ideal, este seria que a mulher consciente do seu valor, colocasse a beleza como fator importante, mas não fundamental, que desse a esse fator uma conotação mais ampla, além do visual de um corpo perfeito, do vislumbre de cabelos sedosos, da admiração de um rosto bonito e sensual; uma conotação mais profunda onde as qualidades dela como mulher pudessem ser enriquecidas, onde a fragilidade pudesse ser superada por sentimentos profundos e verdadeiros, onde o supérfluo e estritamente material pudesse voltar às raízes, onde a natureza se encarregasse de mostrar, na singeleza dos traços femininos, um outro conceito de beleza, um outro tipo de mulher. Infelizmente o que se obseva nesta luta incessante na busca da perfeição física, é uma a mulher que por mais que adote um rótulo feminino, acaba se futilizando, excedendo suas condições humanas, sacrificando por vezes a condição de ser mãe, de ser mulher.
E as consequências são drásticas, realmente sufocantes, apesar de disfarçadas por mil novos artifícios que tendem a substituir a feminilidade, influenciando de forma negativa sua plenitude do contexto mulher. É incrível como o suceder de gerações se entrega a essas normas, onde o corpo conta muito, às vezes é quase tudo, sufocando a mulher espírito, aquela que transcende e que não delimita potencialidades, para quem o amor e o sentimento, a sensibilidade, a compreensão e o afeto ainda são valores vivos e atuantes, compensadores e ideais.
Apesar de tudo isto, ainda há tempo para podemos nos fazer ver que além da beleza ditada pelas normas da época, existe beleza contida na pureza de um sorriso, no sentimento de uma lágrima, no pulsar de um coração.
Psicologia Clínica
Cruzeiro
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